O tempo pode ser colossal. Tal como o bater do teu coração – consegues ouvi-lo: bum bum; bum bum? Ele respira a um ritmo surreal. Ritmo que te faz avançar ou parar. Que te faz cair e erguer. Chorar e sorrir. É ele que te faz viver.
Apaixonada?
É ele que o determina. A febre: o calor humano ataca-o. E aí, aí tudo se altera. O mundo pinta-se de cores nunca dantes representadas pelo olhar cansado de ver o que sempre viu. Agora vê algo novo. Um rasto de felicidade. De insegurança e certeza. Desejo de abraços; de fogo ardente no encostar dos lábios. Desejo de viver!
Em certos momentos algo se vai e fica. Fica o que não foi. Fica aquela lágrima. A tristeza de não teres lutado. De não teres tentado o suficiente. Mas de que serve martirizar se nunca se chega a conhecer os dois lados?
Humanos!
É disso que somos feitos. Mais da amargura do que qualquer outra coisa. É como se fosse o nosso oxigénio. Pensamos e isso já basta para sofrer. Torna-se o suficiente.
Lutar?
Não há forças. Nada te tira do buraco em que te encontras. Pode-te segurar, mas nunca te puxa. Não sais dali. Podes rastejar: nada! Porque apenas depende de ti. Da tua decisão. E se eu não quiser tomar essa decisão? E se isso for demais para mim? Porque é. É demais! É o medo. A insegurança. É tudo. E não é nada. Mas é o eu há para ser. É o que é e o que não é. Mas é. E tudo se resume a isso. A ser. Ser o que não posso ser. E o que nem posso escolher ser. Porque seja o que for não será o que sonhei. Porque nada é como se imagina. Pode já ter derramado dias: dias melhores. Continua ali. Aqui! A dor está a consumir-me.
Quem quer realmente saber?
Eu? Não! Nem eu própria quero. Já não aguento mais olhar para ela. Senti-la! De um modo parece que ninguém me segura sequer. Todos compreendem: mentira. Não compreendem. Porque quem está a passar por isto sou eu. Mais ninguém.
Portanto: não.
O que é que podem compreender se nem eu própria compreendo?

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