Estás presa a um
suspiro que arde; que transforma o corpo num descontrolo libertador. E é nessa ansiedade
– em te perderes no que desconheces – que te encontras com quem realmente és.
Sem medos: nem preocupações nos juízos de valor. Sentes o arrepio desprender os medos. E vês-te
fluir para a dimensão dos sonhos. Está lá o medo: não paralisa; impulsiona.
Estás quase que hipnotizada pela forma encantada com que te olham. És
presenteada, nos teus lábios, com o aroma do desejo. Estás irrequieta de
aventura por te veres à margem do que foste. Um eu que percebe que é possível. Vês
as chamas que ardem as mágoas do passado. Seguras o coração com a promessa de
serem-se verdadeiros. E há uma entrega total das vulnerabilidades. Não
enfraquece; fortalece. Percebes que é ao atravessarem a dor que se alcançam.
Estão despidos de segredos – sendo esse o maior segredo da felicidade. São-se:
fiéis a si mesmos – onde as memórias enriquecem o eu. Não há que ter medo do
que fomos se são essas aprendizagens que nos levam ao hoje. Chega o toque que
demonstra a esperança no futuro. E sentes-te viva, pela primeira vez.

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