Um
passo atrás é dado. Existe tanta turbulência – não é possível ouvires a tua
própria voz. Sentes-te perdida nos ruídos do mundo.
E
é nesse furação de dúvidas que não sabes onde te encontras. Como é suposto
sermos quem realmente somos se quem somos magoa?
A
vida molda-te. Tens as derrotas, os desvios e as separações que surgem para que
ocorra a aprendizagem de um controlo na entrega. Um enquadramento entre a
expectativa e a realidade. E vais controlando. Vais-te mentalizando que, de
facto, não podes exigir aos outros aquilo que és para eles; o que eles
significam para ti. Não podes fazer uma demanda dessa partilha: da dádiva.
Perguntas
sobre o teu bem-estar são feitas sem nunca se querer saber, verdadeiramente, a
resposta. Percorre-se um caminho, aos tropeções. Em constantes recaídas – e
quantas vezes te sentes perdido sem uma mão que te alcance?
Uma
roleta de corações que gira em torno das suas conquistas.
Claro
que quando se dá, não se exige. Mas e quando precisas? E quando tentas ser uma
presença constante no desenrolar da vida dos outros? Quando tentas estar na
resolução dos seus problemas; mas ninguém questiona os teus ou está, realmente
ao teu lado, para ajudar resolvê-los?
E
aí? Engoles as palavras que te cortam por dentro? Consentes o que dói?
Só
para não tornar mais ausente o que já o é.
Cria-se
um fosso entre o que és e o que tentas ser. Entre os relacionamentos
verdadeiros e os que tentas que continuem a existir.
Chega
o cansaço da falta de apoio. De leres os relacionamentos como superficiais só
porque é o tempo de duração que os faz permanecer. Onde está o querer estar?
Onde consta a tentativa? Apenas a tentativa de se ser mais para os outros;
pelos outros.
E
todos sabemos que é isso que é suficiente: que é tudo.
Mas
onde está o equilíbrio? Onde está a linha que separa o que somos daquilo que
temos de deixar de ser?
Vivemos
uma vida a lutar pelo que queremos. A descobrir quem somos. Para, por vezes,
termos de o deixar de ser, para poder coexistir.
Um
passo atrás é dado. Vemos a solidão no futuro – não se cria o tempo para se estar
em companhia.
E o tempo não desenvolve esse espaço sozinho. São precisas duas consciências
que se encontrem.
Será
que na vida há tempo suficiente para todos estes desencontros se voltarem a
encontrar?

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