Gostava de ver-me sem névoa. Sem a nitidez fugitiva. Estou turba. Em réstia de nada. Está-se a voz deslocada: perdida. Sei-me não suficiente. Isso - insuficiente é carícia! Maltratado o rosto vive: húmido. Nem se escreve em cântico a alma. Encrava-se a fluência. Pisado se encontra o sonho. A miragem. Os olhos distanciam-se do alcance. Brilho escuro que se abraça. O corpo nega a existência de alguém. Está a coordenação desemparelhada. Congela-se as emoções. Esfria-se tudo o resto. As paisagens são a negação do suspiro já consumido. Avança o sopro: colisão. O tempo voa num organismo sem estímulo. Olha-o sem visão. Está-se exposto à espera. À entrega a uma felicidade enterrada. Estão as mãos em amparo: a prender o coração.

Sempre uma escrita com grande qualidade...
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