domingo, 30 de setembro de 2012

Refúgio



Tens a linha a esfaquear-te a voz.
Não deixas sair, não queres. Estás: dentro de ti – nada. Sentes-te permanecer, ficar ali. Presa ao tempo – não volta. As lágrimas gritam revolução. Mas tu precisas permanecer no estado neutro. Estás no declínio: bem perto de te ir. E desconheces o que te pode levantar. Tens quase tudo – mas é um nada que não prende. Conheces-te e vês o que ninguém é capaz. Escondes (até de ti) o mundo que te desaba. Que danos trará? É a tentativa de permanecer em dois pés. Em ter a mente a fluir. Não em sonho, na realidade que vives. Uma miragem que de sonhos se descoloriu. Caminhas à procura de suporte. De te aguentar de ti para ti. Uma encenação ao espelho. Não é permitido detonares essa máscara de palavras. Tens a extensão dos lábios – ninguém denota a sua falsidade. Nasce o tempo a cada fim de esperança. E está tudo certo: tem de estar. A mudança não é possível – tens de aceitar. E já está aceite (quase). Portanto está tudo bem. És-te consciente de todo o presente. Mas fica escondida a compreensão de actos. Seriam sentimentos de mentira? Tocaste na margem da plenitude, mas a passagem não abriu. Ficaste a olhá-la como alcançável – para ti essas possibilidades não se escrevem (sabe-lo de experiência própria). Perguntas o que de errado construíste. Quais são os traços que fazem sempre o fim. Incompreendido se torna o olhar. Vem o silêncio em forma de redenção. Deixa-lo ficar em ti – ele ao menos não terá nada a dizer. Irá ler os pensamentos: aceitá-los como deles. Dar-te o refúgio da dor que respiras.

1 comentário:

  1. LINDO MEU AMOR..como SEMPRE....escreves tão deliciosamente bem...é pena é saber que tão amargas palavras revelem tamanho sofrimento...Acima de tudo TENHO A CERTEZA que irás ser superior a tudo isto, e que um dia vais reerguer-te triplamente mais forte...<3

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